230 dias – O Abismo

Entre nós dois existe um abismo que exige alimento todos os dias. Tolos, o alimentamos. Todos os dias eu tento, frustradamente, diminuí-lo, já que houve um tempo em que ele não existia. Esqueço que “se contemplas o abismo, a ti o abismo também contempla“. Quero a todo custo eliminá-lo, e para isso, o estudo. Analiso sua existência. Questiono suas necessidades. Procuro respostas sobre seus porquês. Elaboro planos para destruí-lo. Tento enganá-lo. Choro, lamento. Chego a conversar com ele, peço que suma, desapareça, milagrosamente. Abismo insaciável, está cada vez maior, mais forte e eu, cada vez menor, mais fraca. Muita energia dedicada. Mas descobri que o abismo se alimenta de vazios, dos meus vazios, dos seus vazios, por isso ele está cada vez maior. Minha descoberta me fez lembrar que tenho asas. Posso voar sobre o abismo, sem olhar para baixo. A partir de agora, Sr. abismo, não serás mais alimentado, te ignoro, passarás fome! Até que morra de vez, de uma forma ou de outra. De fome, ou de indigestão ao me engolir.

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Comments

  1. Uhn… Engraçado, li isso hoje num filme onde um personagem encontrava um “outro eu” dele, um eu de outra dimensão, muito similar, mas com leves diferenças. A principal diferença entre eles que o eu “principal” havia reparado é que apesar de ambos terem encarado o abismo, o outro ele ao encará-lo, havia piscado. De alguma forma eu me identifiquei com o principal.

    Existe uma chance que em algum momento de sua vida você encare o abismo, uma vez encarado, você nunca mais poderá dar a costas para ele, senão ele te consumirá sem que você note e você se tornará parte do abismo… Esse abismo não morre, ele é eterno e tudo que podemos fazer é confrontá-lo ou aprender a viver com ele… Mas claro que estou falando aqui do abismo que existe em cada um de nós.

    Sobre o abismo que envolve duas pessoas, eu acho que o principal é que ele seja combatido por ambos, e nesse eu não posso opinar…

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  2. Flor, acho que vivi à beira desse abismo, olhando pra ele durante bom tempo.

    Ontem houve uma situação que fez com que me afastasse disso tudo. descobri que o ANJO (de olhos felinos!) nada tem de anjo. Tudo se revelou em frente aos meus olhos, dissipando em 15 minutos minhas dúvidas de anos. Acabou, Flor. Dessa fez quem deu o ponto final fui eu. Vi uma pessoa completamente diferente daquela pela qual me apaixonei, vi meu amor desfigurado em maldade na minha frente. Tá lá no blog, no artigo que publiquei ontem.

    O bom disso tudo? Eu não morri. Gostaria que as pessoas soubessem que há vida depois do abismo…
    Beijo!

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  3. estou sempre a beira de abismos, de dois!
    Beijos

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  4. Referente ao nosso relacionamento existe apenas novos caminhos/estradas e um muro de defesa.

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