Um ANJO que passou em minha vida

Esse é somente um breve resumo do capítulo mais bonito da minha vida. Uma história de amor que durou quase dois anos, e quisera eu que fosse mais longa e ainda se estendesse…

Nos conhecemos em situação de trabalho, meados do ano de 2007. Eu era Psicóloga recém-contratada em uma empresa ele trabalhava nesta mesma empresa havia já dois anos. No primeiro momento em que me deparei com ele já senti alguma coisa diferente e não soube dizer pra mim mesma o que era. Na ocasião, eu entrava na minha sala e ele aguardava no corredor para uma reunião com o dono da empresa. Quando bati meus olhos naqueles olhos verdes dele me senti mergulhando ou flutuando, como se um turbilhão de alguma mais forte que eu coisa me povoasse e me apontasse um caminho novo. Não sei se por pressentimento ou por qualquer outra explicação, mas ali, naquele corredor, eu soube que aquele homem de olhos de gato seria a pessoa mais importante da minha vida a partir de então. Os dias foram se passando e vivenciei somente a aproximação natural de trabalho, que nunca foi tão natural e era sempre seguida de uma sombra diferente. Eu já estava encantada!

No expediente nos olhávamos diferente; ele me procurava sem necessidade, por motivos banais; e, por mais que todos naquela empresa o temessem devido ao cargo que ocupava e função que desempenhava, eu nunca tive medo dele e, havia entre nós uma empatia absurda, como se fôssemos conhecidos de anos. Passado algum tempo, seis meses de contato diário no trabalho, após um evento comemorativo onde fomos representar a empresa (durante este evento houve algumas investidas de ambos os lados) ao me trazer pra casa trocamos um beijo. Desde então nos encontramos esporadicamente e isso gradativamente foi crescendo. Os encontros que inicialmente eram espaçados foram se afunilando, aumentando de freqüência. Nos mantínhamos escondidos para que no trabalho ninguém descobrisse, pois seria certeza de problemas…

Como a carga de trabalho era excessiva o tempo que mais nos sobrava era as manhãs, bem cedinho, antes do expediente, ele passava em casa basicamente todos os dias (às vezes as cinco e meia da manhã!), fizesse chuva ou sol, e tomávamos café juntos. Depois seguíamos separados o rumo do mesmo lugar: o trabalho. Às vezes nos encontrávamos para jantar ou algum outro passeio fora desse horário matutino, mas era bem mais difícil.

Eu o chamava de ANJO…

O tempo passou e encontramos diversas turbulências pelo caminho. Eu o amava e suportava todas. Tudo em mim cresceu e evoluiu a partir disso. Nunca havia amado ninguém assim…

Passei por diversos problemas pessoais e de trabalho e me sentia forte por sentir ele do meu lado. Fui desligada da empresa. Ele continuou lá. Nós continuamos juntos, talvez, no meu ver, até mais unidos do que antes, uma vez que não havia mais o peso de culpas ou coisa parecida caso fôssemos descobertos. Exatos quatro meses depois do meu desligamento, nos encontramos uma sexta à noite para jantar. Depois disso conversamos bastante antes dele ir embora. Assuntos banais; não havia nada de anormal.

Havia a vontade de ficar por toda a eternidade aconchegada nele. Lembro que depois de estar fora do carro, ainda me voltei pra entender algo que ele dizia e roubar mais um beijo. Saí do carro às gargalhadas! Ele ligou o carro se acabando de rir… Manobrou na calçada, ganhou a rua e seguiu.

Eu estanquei! Havia o costume de acenar pra ele já no portão de casa e com ele aberto. Mas estanquei no meio da calçada… Vi o carro manobrar. Ele me olhava pela fresta do vidro que estava aberta… Sorriu e se despediu. O carro foi. Da calçada eu o vi virar devagarzinho na esquina e tirei do bolso o celular, mas uma sensação estranha me impediu de ligar como fazia todos os dias quando ele ia embora. Não liguei. Naquela madrugada não fui com ele até em casa. Alguma coisa me apertou o peito na hora em que o carro virou na esquina. Eu sabia (de alguma forma eu sabia!) que ele não voltaria mais. E acredito que ele também…

Durante o final de semana que se seguiu nos falamos por telefone e na segunda feira ele já não mais me atendeu. Nem me procurou… Comecei a contar os dias sem ele… Não houve um rompimento. Foi só desaparecimento…

Um mês depois, cansada de tantos porquês sem respostas, o procurei e a justificativa que tive, o que ouvi ser pronunciado por aquela boca foi que caso ele se mantivesse comigo ou se ainda falasse comigo, perderia o emprego. Ele foi ameaçado de demissão, e como condição para manter-se empregado deveria se afastar de mim. Ordens superiores baixíssimas, diga-se de passagem, dadas por um patrão sádico e ditador que nunca aceitou a minha felicidade! Ele acatou a essas ordens. Talvez tenha sido fraco, talvez tenha faltado coragem, talvez tenha faltado amor por mim…

Já se passaram muitos dias desde aquela madrugada em Agosto de 2009…  Meu ANJO voou pra longe. Voou e nunca mais voltou. Voltei a vê-lo em outra ocasião, mas o reencontrei destituído das asas que eu lhe havia atribuído. Ele parecia um estranho e me tratou como tal.

Ainda sofro e sinto falta dele todos os dias na hora de tomar café, e por mais que eu adoce esse café, ele me desce amargo… Talvez eu ainda sonhe com uma xícara quente de café, aconchegada naquelas asas, sendo observada por aqueles olhos verdes e tendo ao fundo o raiar do sol.

*** 

Também escrevo e costumo visitar alguns blogs quando o tempo me permite esse luxo. Conheci a Flor através do blog e a identificação com o fato de contar os dias sem ele foi imediata, apesar de nossas histórias serem diferentes. Os meus dias sem ele fomentaram minha escrita e o meu blog que, na época em que ele se foi quase não era usado por mim, foi uma ferramenta que me ajudou a ganhar forças para seguir em frente. Escrever foi a bóia que encontrei e na qual me agarrei no meio do oceano quando a tempestade caiu… Meu espaço foi ganhando formas diferentes e hoje sou a autora do Blog Minha Essência (em: http://barbaranonato.wordpress.com), onde falo sobre o que sinto, seja em forma de contos, metáforas ou críticas; e onde  me expresso, não mais com a dor intensa do início, mas com os sentimentos de uma  mulher que sobreviveu apesar da saudade e se dispõe ainda  ser feliz um dia.

Desde já agradeço à todos pelo cuidado e atenção em ler essa minha história; e agradeço a Flor pela oportunidade de estar aqui compartilhando isso com todos.

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Comments

  1. Barbara,

    Obrigada por compartilhar a sua história aqui no blog e por mostrar pra gente que apesar do caminho árduo, existe vida após “os dias sem ele”. Torço sempre por você e desejo que outras asas voem na sua direção e te levem para conhecem novos paraísos.

    Beijos da Flor

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  2. Nossa que historia !! É triste quando ficam o pontos de interrogação, e mais triste ainda é descobri as respostas desses pontos…

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  3. Vamos continuar a seguir esta história que já acabou, mas que me parece imensamente linda!

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  4. Linda história!
    A Barbara escreve lindamente,já estive no blog dela,um talento na blogosfera como poucos!
    Ela está se refazendo,reconstruindo,revivendo sem o ANJO.
    Isso é muito difícil,admiro.
    Parabéns a ela por compartilhar e a flor por abrir este espaço aqui que ainda vai ajudar muitas pessoas.
    Beijo.

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  5. gente!!!
    cmg acontece algo parecido só q no meu caso quem proibiu tudo foi a família dele e ele também aceitou tudo.olha barbara,as pessoas me falam que se ele acatou o que a familia dele mandou é porque nao me amava,eu nao quero acreditar nisso mas sei lá né.se minha familia me mandasse fazer o que ele fez comigo eu mandava toooooodos pra ****** e ficava com ele.
    fica bem taá.
    Ju

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  6. Apesar de ter sido esse texto um resumo breve do que vivi por dois anos, lê-lo publicado aqui me vez quase que reviver. Estranho isso… Um misto de boas lembranças atrelado à lembranças tristes.
    Volto a dizer que é bom poder dividi-la e agradeço mais uma vez a atenção de todos.

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  7. Que história! Nossa, parabéns, escreves muito bem e o teu cantinho aqui é lindo.

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  8. Que história triste e linda!
    Agora entendi o seu post (bárbara) sobre um alguém ditador.. triste :/
    Mas a vida é assim, né.. leva uns bons mas traz melhores

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  9. Priscilla says:

    Que lindo! Adorei!
    Ah, que maravilha de post!
    Beijos meus e um bom domingo!

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  10. Parabéns pelo talento e pela,de certa forma, superação barbara.

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  11. Lindo… Falta ar pra escrever!
    Sabe pq seu blog é top entre os que eu visito? Pq me inspira… me inspira muito!
    Beijos florzinha!

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  12. Triste e alegre ao mesmo tempo.
    Flor, eu amo e odeio o seu blog ao mesmo tempo.
    Amo pela beleza, pela sutileza, pela sua força e determinação e odeio quando eu vejo em vc, eu mesma há algum tempo atrás.
    Continue assim flor, perfume muitos jardins!
    Lindo o texto da barbara, estou olhando o blog dela e nossa, talento sobre ali, né?

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  13. Florisbella,adorei o teu blog,me indicaram hoje porque eu passo por algo parecido,vou te enviar um email ta.
    bjoos

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  14. Bárbara….

    será que o chefe dele confiscou as senhas dos e-mails pessoais, contratou um detetive aos finais de semana e grampeou todos os celulares? Me desculpe, mas pareceu mais uma desculpa do que qualquer outra coisa, em pleno século XXI onde até por perfil fake nos comunicamos muitas vezes é complicado acreditar na história dele!

    A história que vc viveu foi linda sim, você amou e foi amada, mas pode reviver e se reinventar por quantas vezes for necessário que seja.

    espero que um dia deixe de viver essa interrogação e não a deixe ser o norte da sua vida!

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    • Eu sei perfeitamente que a imposição feita não justifica o afastamento. Ele foi por que quis, usando disso como um pretexto…

      O que me importa hoje é o que vivi e o fato de já ter superado. Pode até não parecer devido a saudade que sinto às vezes, mas isso já ficou pra trás. Hoje a vida é diferente, apesar de não ser ainda completa.

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  15. Oi, Florisbela

    vi seu comentário agorinha, que bom que gostou do texto 😉

    acho que vou mandar um pra você sobre ‘os dias sem ele’ também.
    rs

    Abs,

    Luma

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  16. Ana Maria Cardoso says:

    Olá Barbara, eu concordo com a juci nos dias de hoje quando somos “proibidos” de algo que queremos muito nao adianta damos um jeito de fazer mesmo que seja escondido.
    Vc me parece ser uma mulher de garra, inteligente e cheia de talento.
    Espalhe isso pelo mundo! Vc merece.

    Beijos meus.

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  17. Flor, enviei meu texto pra vc tbm tá !! Bjuuuus

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  18. Ana Júlia says:

    Barbara, força que tudo irá melhorar pra você cada vez + !

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  19. Um texto sincero e muito corajoso… Me emocionei ao conhecer usa historia pq me identifiquei no sentido de sofrer há quase dois anos por alguém que tb não volta mais e nem sequer se preocupou com o que eu senti e sinto… O mais mágico disso tudo é que vc encarou a perda e não se negou a sentir e assumir essa ausencia, o que eu venho tentando fazer… Enfim, acabei me sentindo mais forte depois de ler seu texto!!
    Felicidades a todas nós mulheres capazes de amar verdadeiramente e acreditar que existem possibilidades!!

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    • Encarar essa ausência (não necessariamente aceitá-la de imediato, mas vê-la como algo real) foi o que me manteve de pé. Eu sabia que ele havia partido e sabia que poucas seriam as chances que eu teria de reverter isso. Ainda assim meu sentimento se manteve intacto devido à felicidade que eu havia alcançado quando com ele.

      Talvez seja conveniente ressaltar agora que, há pouco menos de um mês recebi um telefonema dele com intuito de tratar assunto de trabalho. Eu me surpreendi ao descobrir que, passado esse período de suposto luto, consegui tratá-lo com a mesma indiferença que fui tratada ao procurá-lo quando ele se foi. Uma observação: não foi uma reação/atitude premeditada; aconteceu de forma espontânea mesmo. Não reconheci seu número, atendi a ligação e o tratei naturalmente, sem intuito de vingança, de forma distante, como se ele fosse uma pessoa quase estranha.

      Acho que, querendo ou não, aprendemos a rever nossos sentimentos e nosso empenho, revertendo isso em prol daqueles que realmente o merecem. Eu perdi com o término desse relacionamento. Ele, entretanto, perdeu mais. Ele me causou um mal que se estendeu com o tempo; e esse mesmo tempo me forneceu condições de reverter esse mal em bem e tocar a vida adiante.

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