183 dias – Uma outra história

Esta poderia ser outra história de amor.

Menina bonita, inteligente, prendada e virgem. Rapaz que também é tudo isso mas só precisa da menina para perceber. Ela anda pelos corredores do colégio carregando seus cadernos e ele, apressado, esbarra nela derrubando seus pertences. Começam a juntar o que está espalhado pelo chão e se olham. E ali, naquele olhar, percebem que vão querer passar o resto de suas vidas juntos. Por acaso, ou pelo destino, começam ali uma história de amor. Algumas tentativas para separá-los acontecem. E após este período nublado, superam todas as artimanhas de terceiros e ficam juntos. Firmando ali, um laço que vai durar até o fim das suas vidas.

Casamento perfeito. Ela reluzindo felicidade em seu vestido de noiva. Ele ansioso e encantado ao vê-la entrar com o pai segurando-a pela mão. Tiram centenas de fotos felizes. Lua de mel em Paris. Vinho e jantar à luz de velas. Gôndolas em Veneza para fechar com chave de ouro.

Ela cada vez mais satisfeita profissionalmente, ele idem. Almoço todos os domingos na casa da família. E claro, família grande, unida e feliz.

Primeiro filho, segundo filho, terceira filha. Crianças lindas, inteligentes e amadas.  Crescem saudáveis, o orgulho dos pais que colecionam suas conquistas numa estante.

Primeiro neto, segundo neto. Mesa de domingo cheia com filhos, noras, netos e netas.

Envelhecem sabendo que fizeram exatamente o que queriam ter feito, que foram felizes pra sempre e que não desejaram estar em outro lugar em nenhum momento.

Morrem dormindo, juntos, de mãos dadas. Para não sofrer com a dor da perda do outro.

FIM.

Simples assim. Como na grande maioria dos filmes. Uma história que aprendemos desde pequenas ser a história perfeita de um amor feliz. Mas só aprendemos que elas deveriam ser assim. Pura teoria. A prática é outra coisa. E parece que quem inventou a teoria estava totalmente alheio pro que é a vida real, dos casais reais, dos seres humanos reais. Acho que quem inventou a teoria não era desse mundo…

É isso. Ou tratamos de curar esta síndrome de cinderela, ou viveremos como  gatas borralheiras num conto que não é de fada, onde não existe príncipe encantado.

PS: Este é o meu lado racional falando, prazer. Aproveitem para conhecê-lo, já que ele aparece uma vez a cada mil luas cheias.

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Comments

  1. Perfeito!!! Quero aprender a ser mais racionla também…estou lutando com isso, mas acho que vou conseguir…acho… Bjus

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  2. “O amor na prática é sempre ao contrário”, já disse o poeta.

    beijos.

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  3. Sinceramente, nunca esperei um conto de fadas. Desde novinha observava o que acontecia com o mundo aí fora e fui chegando à conclusão de que a felicidade dependia apenas de mim, e de ninguém mais. Claro que fatores externos nos afetam, não sou fria a ponto de dizer que não. Essa é minha dificuldade em relacionamentos, pois sei que se dependesse SÓ de mim, seria mais fácil. Também penso que se tudo fosse “perfeito”, seria demasiadamente chato e entediante.

    Beijão, Flor!

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