61 dias – Eu

Eu me defino desde o primeiro post. Escrevo inúmeras linhas defendendo e acusando aquilo que eu acredito ser. Se comparar, algumas vezes sou contraditória. A verdade é que eu percebi que vejo o mundo, as pessoas, o homem que eu amo e a mim mesma, a partir daquilo que estou sentindo no momento. O problema é que eu sinto demais, muitas coisas. E o tempo todo, tudo muda dentro de mim.

O nome deste blog deveria ser: Os Dias Sem Eu.

Eu que me amo por tudo aquilo que bom que reconheço em mim e me odeio por muitas vezes, estragar com o que restou do meu relacionamento pelo simples fato de agir como eu mesma. E essa raiva que sinto ao ponto de desejar mil vezes que eu não seja mais assim, fez com que eu não me reconhecesse mais.

O que eu era durante todo o meu namoro está tão distante de mim agora. Me culpei tanto por ter um turbilhão de amor no meu coração e ser cautelosa em demonstrar. Toda a minha história de vida fez com que eu chegasse ao ponto de conseguir ver o mundo explodir dentro de mim e eu permanecer com uma expressão serena no rosto. Já chamei isso de controle. Contráditório pra quem se diz passional e intensa. Antes fosse. Eu, nunca consegui demonstrar pra ele todo o meu amor, nunca. A minha vida nunca foi perfeita, pelo contrário, eu construí as minhas verdades em cima de escombros. E ele me amparou. Eu, o amei como não havia amado nada na minha vida. E apesar dos presentes, dos desenhos, das declarações, do vídeo que aprendi a fazer pra ele, da minha confiança e da minha entrega, foi pouco. Sei que parece muito, mas é pouco demais pra 2 anos a distância onde a necessidade de cuidar do amor é mil vezes maior. Eu não soube cuidar do meu. Eu me culpei demais por isso nos últimos 2 meses, me odiando sempre que pensava nisso. Tive tanta raiva de saber o quanto tudo é intenso dentro de mim e como eu conseguia conter tudo isso na hora de expor. Acho que por medo de assustar ele, medo de ser grudenta demais, brega demais e deixar ele enjoado, saturado. Tive muita raiva de mim mesma. Eu deveria ter sido mais relaxada e mostrado pra ele que o que eu sinto não cabe em mim. Tive tanta raiva que fiquei maluca.

O que eu fui nos últimos 2 meses, deve ter sido consequência de toda a minha raiva de mim mesma. Consequência que as vezes se faz presente nos dias de hoje. Me vejo, tarde demais, abrindo todo o meu coração pra ele e mostrando tudo o que mostrei de forma bem tímida em 2 anos. E não foi proposital. Fiquei maluca. Ainda estou. Tive tanta raiva de não ter feito isso que só consegui fazer isso da minha vida nos últimos 2 meses… e fazer isso, incrivelmente teve efeito contrário: ele fica mal. E também tenho raiva de ser assim, de ter aberto o meu peito pra ele e não conseguir mais fechar. No últimos dias odiei tanto tudo o que fui, tudo o que me tornei, tudo o que sou, que agora eu não sei mais de nada sobre mim. E pior, tenho a impressão que eu nunca soube e talvez nunca saiba.

E esta ausência de mim mesma tem feito eu questionar o que estou fazendo aqui neste blog.

Sei que tenho um projeto pra desenvolver nele, que muitas que falam comigo pelo msn já sabem, mas antes, eu preciso sentar, pensar e colocar os pingos nos meus i’s.

Tudo que faço na minha vida, eu gosto de fazer bem feito. Isso não significa que eu seja perfeccionista porque não busco a perfeição. Isso significa que eu gosto de fazer as coisas com vontade, com sentimento. E é por isso que não tenho visitado os blogs. Porque odeio isso de fazer algo de qualquer jeito, só por fazer. Eu gosto de ler tudo, entender tudo, dizer o que senti e achei de tudo que li… sei lá. Gosto de envolver meus sentimentos nas minhas ações. E a minha falta de vontade pra tudo, tudo mesmo, e principalmente essa sensação estranha de estar ausente de mim, tem feito eu não ter mais vontade de continuar com o blog. De acordar e deletar tudo num ato impulsivo.

O que me faz pensar duas vezes, são as pessoas que conheci e os e-mails e recados que recebo. E desde que comecei, já recebi 3 notícias de que os dias sem ele acabaram e estão muito bem obrigada. Isso não dá esperanças pro meu caso, mas me deixa muito feliz por elas. E fico feliz demais quando leio algo do tipo “Não poderia deixar de dar essa notícia pra vc, né?“.

Estou me dando um tempo pra decidir o meu futuro no blog, que acredito ser necessário. E continuo escrevendo, pois escrever é terapia.

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Comments

  1. Escrever é terapia mesmo. Pra mim sempre funcionou. Mesmo que as coisas tomem rumos diferentes, na sua vida ou no blog, continue por aqui, tá?
    Tbm tenho ficado perdida muitas vezes, correndo pra me achar em algum lugar, e em outros momentos me arrastando. Às vezes parece que nem quero me encontrar mesmo…
    Quem achar primeiro o interruptor, acende a luz, tá? rs
    Te amo, amiga
    Beijos

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  2. Tem toda razão! Depois que eles se vão, parece que a gente vai junto. Tudo fica vazio, sem sentido…
    As vezes tenho a impressão de que “meus dias sem ele” não acabarão. Ele foi. Eu fiquei. Mas jamais vou esquecer o quanto fui feliz.
    Bj.

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  3. Segurar as coisas não faz bem… O desabafo escrito é uma receita de exorcizar nossos demônios internos…

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  4. Não entende essa caontagem d e posts , Agente sempre encherga um pouquinho da gente nos outros

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  5. Florrrrrrr!! Sei que estou sumida! Assim como você disse nesse post, também não gosto de fazer as coisas mal feitas e por causa da correria estou lendo seu blog aos pouquinhos! Não deixe de escrever! Meu blog me ajudou demais e creio que a ajudará também! Assim como você disse, conheceu pessoas aqui que valeram à pena!
    Nem sempre comento, mas gosto de vir aqui e ler, sempre na esperança de que você já está melhor e fico triste em saber que você ainda sofre!

    Um beijão pra você!

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Trackbacks

  1. […] 61 dias —> Sobre mim e os dias sem EU. […]

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